Coisa de Pobre e os Neo-Sultões

Há quem diga que no humor vale tudo. Que piada “politicamente correta” não tem graça. Do “politicamente incorreto” dão um salto para o “preconceituoso” e, pronto, podem rir sem culpa. Eu nunca vi um pacifista ter ataque de riso ao ver fotos de Guantánamo. Piada preconceituosa: risada na certa ou seu dinheiro de volta.

Mas falemos das pessoas muito principais. Pelas terras tupiniquins o preconceito contra os pobres é tão grande que foi criado o instituto das “coisas de pobre”, o que por um lado é ótimo porque me fornece assunto para dez anos de blog. Falar ou escrever em desacordo com a norma culta é absolutamente imperdoável. Se ousar errar em público será massacrado no Coliseu moderno, vulgo Internet, por ávidos admiradores de grandes obras da literatura moderna, como Crepúsculo e Harry Potter. Cometer erros gramaticais chulos é feio porque é coisa de pobre. “Inobstante” é neologismo; “Derrepente” é coisa de burro.

Há alguns anos encontrei um colega meu na rua. Na ocasião ele me disse que estava indo ao shopping para comprar um estrado, de forma que poderia improvisar uma cama. Daí ele pediu o número do meu celular para me ligar assim que saísse de lá. Só que eu não tinha celular. Aí ele me chamou de “ai sua pobre”. Claro, ele é praticamente um neo-sultão dormindo num estrado.

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