Coisa de Pobre e os Neo-Sultões

Coisa de Pobre e os Neo-Sultões

Há quem diga que no humor vale tudo. Que piada “politicamente correta” não tem graça. Do “politicamente incorreto” dão um salto para o “preconceituoso” e, pronto, podem rir sem culpa. Eu nunca vi um pacifista ter ataque de riso ao ver fotos de Guantánamo. Piada preconceituosa: risada na certa ou seu dinheiro de volta.

Mas falemos das pessoas muito principais. Pelas terras tupiniquins o preconceito contra os pobres é tão grande que foi criado o instituto das “coisas de pobre”, o que por um lado é ótimo porque me fornece assunto para dez anos de blog. Falar ou escrever em desacordo com a norma culta é absolutamente imperdoável. Se ousar errar em público será massacrado no Coliseu moderno, vulgo Internet, por ávidos admiradores de grandes obras da literatura moderna, como Crepúsculo e Harry Potter. Cometer erros gramaticais chulos é feio porque é coisa de pobre. “Inobstante” é neologismo; “Derrepente” é coisa de burro.

Há alguns anos encontrei um colega meu na rua. Na ocasião ele me disse que estava indo ao shopping para comprar um estrado, de forma que poderia improvisar uma cama. Daí ele pediu o número do meu celular para me ligar assim que saísse de lá. Só que eu não tinha celular. Aí ele me chamou de “ai sua pobre”. Claro, ele é praticamente um neo-sultão dormindo num estrado.

Certo dia, eu estava num carro com algumas colegas da faculdade, quando começa a tocar “Burguesinha”, do Seu Jorge. Em tom de brincadeira, disse: “Putz. Seria bom ter essa vida, hein?”. E a guria sentada no banco de trás responde: “Ai, eu tenho essa vida”. Jura que você malha o dia inteiro?

A única coisa de inestimável valor que os pobres não possuem é erudição. Mas não só eles. A classe média se esforça loucamente em “parecer ter”, tentando reproduzir o ethos da elite, esta que, muito supostamente, é detentora da “arte do saber”. Supostamente, pois, diante do cenário atual do culto à imagem e da obrigatoriedade de um bom marketing pessoal, pergunto-me se alguém realmente sabe de alguma coisa.

Sobre gatos e burocracia

Sobre gatos e burocracia

Neste início de ano,  um brinde ao silêncio.  Mamãe resolveu presentear-me com bons e sagrados dias longe de casa. A esmola é muita e, minha missão, módica. Recebi uma singela lista de orientações, além do costumeiro “favor não destruir a casa”, mas nada que desprendesse especial atenção ou furtasse-me valioso tempo.

Apenas uma regra devia ser cumprida religiosamente: a dos gatos. O que é um tremendo caralho quando são sete felpudos. Transcrevo:

“A Lua não pode entrar em casa à noite. A Mel não pode sair de casa à noite. A Jasmim deve ficar o tempo inteiro dentro de casa. A Brisa e a Sol podem ficar fora de casa à noite.  A Shiva não pode entrar no meu quarto. O gato cinza não pode entrar em casa.

Beijos,

Mamãe Saura.”

Mamãe deveria virar redatora daquelas revistinhas de lógica. Talvez fosse de bom tom apenas trocar o nome dos gatos por algo menos age of aquarius. Falando em nomes, fiquei ligeiramente tocada pelo fato do gato cinza não ter sido agraciado com um nome. Ou não.

Agora é pra valer. Mamãe bateu a porta, apertou os cintos e partiu. Tudo estará na mais perfeita tranqüilidade até o primeiro meow.

Antes de dar início à esbórnia, enxotei o gato cinza para fora de casa, tirei todos os gatos do quarto da minha mãe e tranquei a porta. A bem da verdade, apenas a Shiva não podia entrar naquele quarto, mas achei mais prático estender a proibição para todos. Four legs bad, two legs goood.

Estava na cozinha preparando a janta quando vejo uma pequena patrulha de felinos domésticos no intento de uma fuga noturna.  Como eu não havia decorado todas as regras, sempre que aparecia um bigodudinho pleiteando alguma safadeza eu corria em direção à lista para conferir se aquele gato possuía autorização para fazê-lo.

Maravilha. Tornei-me uma espécie de segurança de casa noturna felina. Olha pro gato, checa na lista. Gato, lista. Gato, lista. Hummm. Pode passar. Você não! Você não, hein?! (Rshhhh / Pow! / Meowwww). Ei! Que gato é esse? (………) “Quem é você?!”

Às vezes parecia que havia mais gato do que nome na lista. Será que tem algum impostor comendo às minhas custas?! Eu não me lembro da fisionomia de todos os meus gatos, podem me achar uma insensível. Agora, alto lá, eu não tenho um gato preto! Todavia, é ainda pior quando parece ter mais lista do que gato. Após duas semanas sozinha com sete gatos, parece-lhe óbvio que eles só podem estar se reunindo às escondidas para tramar um golpe de Estado contra você.

Por que raios toda essa burocracia? Explico: A razão de ser dessas regras está relacionada com a falta de destreza de alguns gatos e problemas urinários de outros. Alguns gatos não conseguem descer do telhado, então, a menos que eu queira acordar de madrugada para resgatar o safado do bicho – o que obviamente eu não iria fazer – é melhor seguir as regras. Além disso, alguns deles são adolescentes mijões que se enfezam diante da castração da sua liberdade noturna e, de birra, fazem xixi na sala.

Após alguns dias, no ápice do ócio, fui tentar brincar com a minha gata mais velha. A Jasmin. Comecei a engatinhar fazendo “meow, meow” o melhor que minha humanidade permitiu, tentando enganá-la.  Nunca alguém me olhou com tanto desprezo.

Senti vontade de dar um soco na minha gata. Pela audácia. Aquilo só podia ser uma cara de desprezo. É a segunda vez que eu tenho um surto violento imbecil em face de um oponente pouco favorecido. Contudo, dessa vez o hipossuficiente era um semovente, o que é um avanço considerável tendo em vista que na primeira vez o adversário era um processo de falência. Em ambos os casos, contive-me por rara manifestação de juízo.

Dizem que os animais se parecem com os donos. Talvez haja certa ironia em ter uma gata mau humorada. Se você reparar, dos sete gatos que moram comigo, seis são fêmeas. E, vejam só, justamente o único gato que não tem permissão para permanecer dentro de casa, sob hipótese alguma, é o representante do sexo masculino. A propósito, ele sequer tem nome. Sinto-me verdadeiramente tocada agora. Ou não.

Sacanagem Jurídica

Sacanagem Jurídica

Quando fui ao Fórum pela primeira vez recebei a seguinte instrução: Primeiro você tira o print, só se for necessário você sobe na vara. Chegando ao Fórum, toda serelepe graças à minha nova atribuição, burro de carga, fui em direção ao balcão, impostei a voz e perguntei: A senhora poderia me informar, por gentileza, como eu faço para subir nas varas? Todos os advogados, estagiários e filhos da puta do balcão riram de mim. Hoje, anos depois, meu chefe me pediu para ir ao Tribunal de Impostos e Taxas, conhecido como TIT. Mas eu estava tão cansada que disse que iria amanhã ao TITS. O mundo jurídico é uma grande sacanagem.

Sacanagem é o site do Mackenzie. Quando você acessa a repartição destinada à faculdade de Direito e seleciona a opção “Calendário”, abre uma página nova, com a FOTO de um calendário. A imagem deveria possuir um link, ou, quem sabe, dispor informações ao lado da foto, mas não tem nada disso; tudo o que você pode ver é a droga do desenho de um calendário. Didático, não?

Graças a isso, confiei apenas na minha intuição: fui ao Mackenzie e dei de cara com os portões fechados. O Mackenzie adora emitir correspondências do tipo: Venha retirar seu diploma! Compareça à secretaria! Só que eles se esquecem de abrir os portões. A melhor parte do Mackenzie é a Maria Antônia. E boteco por boteco, a Augusta humilha. E é logo ali.

Para não perder a viagem resolvi experimentar um milk-shake num lugar que nunca havia visto antes ali na Maria Antônia. São mais de vinte sabores e um preço bem em conta. Estranhei, mas pedi um de açaí. Não era ruim, mas tinha gosto de pirulito. Visualmente, era cor de rosa com manchas azuis. Degustei a desgraça tentando, inutilmente, sentir alguma leve nuance de Açaí. Nem que fosse Kissuco de Açaí. O mais perto que cheguei foi ao gosto de banana. Bom, açaí tem banana. Mas nesse caso era um gosto de banana azeda. Milk-shake de Açaí com gosto de pirulito e banana azeda. Vou chamar a bruxa do 71….

Eu sou o Pato Donald! Eu sou o Pato Donald!

Eu sou o Pato Donald! Eu sou o Pato Donald!

Advogados não são criaturas notórias por possuírem um admirável senso de humor. Afinal, você já viu alguma cobra rindo? Por outro lado, estagiários de Direito são seres que normalmente se vestem bem, escrevem bem e se acham muito. Porém, a parte mais legal neles é a função bônus de bobo da corte. Meu último colega de profissão imitava perfeitamente o Jhonny Bravo, sabia de cor todas as piadas do stand-up comedy do Chris Rock e falava “How you doin’? para a advogada chefe.

Além disso, como nosso expediente terminava às 18h00,  por volta das 17h30 nós dois decidíamos – sorrateiramente – quem contaria a “piada do dia”. Os advogados morriam de rir e a gente enforcava meia-hora de serviço. Seja por talento nosso ou falta de perspicácia dos advogados, sempre funcionou.

Outra consideração interessante: advogado não corre, caminha. Se algum dia você ver um advogado correndo, fodeu. Se um advogado está correndo é porque alguma merda absurda ele fez. Por isso que estagiário de Direito vive correndo. Você deve estar pensando: “estagiário só faz merda.” A diferença é que estagiário de Direito faz merda e tem que sair correndo com um processo de 5 volumes, 300 mil páginas cada, nas mãos.  Pra piorar, vestindo terno e gravata num puta sol de 40° graus,  se for homem. Se for mulher, correrá de salto alto, no meio da chuva, enquanto desvia dos buracos e das mãos bobas no meio da Líbero Badaró.

Enquanto meu colega de escritório dava uma de Jhonny Bravo, meu enorme azar faria inveja ao Pato Donald. Todas as forças do universo conspiram para que eu me foda. Numa certa época cheguei inclusive a cogitar a idéia de que havia sido contratada exclusivamente para entreter o departamento com minha falta de sorte. Acompanhem comigo.

Certo dia meu chefe me mandou ir a uma delegacia localizada na Rua Aurora para que eu levasse alguns documentos ao delegado. Após, deveria ir ao Fórum Criminal pra resolver as pendências de praxe. Tudo bem. Peguei os documentos e fui de metrô. A Rua Aurora fica no centro da cidade, perto da estação República de metrô, perto da Cracolândia. Claro que eu não sabia disso. Claro que eles mandaram a estagiária à Cracolândia. Bem que eu desconfiei que meu chefe queria me perguntar algo antes de me deixar sair do escritório. Deveria ser: “Você está armada? Não? Então pega essa faca!”

Peguei o metrô na estação Consolação e desci na República. Chegando lá, atravessei calmamente a Praça da República, observando aquela aparência normal do centro da cidade. Nada de novo. Pedi informação.  Disseram-me para virar à direita. Virei. Olhei para a placa: Rua Aurora. Pronto, achei.  Fiquei feliz. Comecei a andar. Passo a passo a rua ficava mais estreita. Os prédios eram coloridos, havia imagens desenhadas em suas paredes, pixadas e grafitadas,  com várias roupas penduradas nas janelas. Na frente deles, muita gente mal encarada me olhando. Eu, bem vestida, com pinta de quem teria dinheiro na bolsa e algo a se perder entre as pernas, destoando de tudo a minha volta. Apressei o passo. Andei, sem exagero, cinco quarteirões largos. Nunca, em toda minha vida, quis tanto encontrar uma delegacia.  Aquela rua parecia infinita. Comecei a correr. Daí lembrei que não deveria correr de forma muito indiscreta. Pessoas malígnas farejam medo.  Nenhum sinal da  maldita delegacia, mas, em contrapartida, a cada quarteirão o número de sorumbáticos triplicava.

Cheguei. Avistei uma muvuca logo na porta de delegacia. Desviei, entrei. A delegacia estava lotada.  Eu precisava descobrir em qual andar eu deveria ir, então tentei perguntar junto ao balcão do plantão. Só que no chão, na frente do balcão, havia um amontoado de pessoas que usavam gorros, cobertores e tinham uma aparência triste. Desisti. Encontrei o elevador sozinha, chutei  um andar que me pareceu simpático e subi. Primeiro fui ao quinto andar, depois ao sexto, depois ao sétimo… Pronto. Sétimo andar. Finalmente encontrei o delegado. Claro que não consegui entregar os documentos. O delegado recusou-se a recebê-los, afirmando que o “combinado era outro” e que o motoboy do meu escritório já havia, inclusive, resolvido aquela questão. Sabe aquela sensação de inútil inerente à função de estagiário? Em caso de dúvida, mande o estagiário trouxa verificar! Respirei fundo e desci. Quando cheguei ao térreo, comecei a ouvir gritos. Uma mulher estava berrando descontroladamente no meio da delegacia. Ela dizia: “Eu quero falar com o delegado, porra! Quero ver quem vai me tirar daqui!”. Quando os policiais viraram o rosto para ver a origem dos berros,  eu já estava no último degrau da escada.

Quando sai, fui acometida por uma terrível sensação. Era como se todos os meus sentimentos bons tivessem deixando o meu ser. Uma parada meio Senhor dos Anéis, sabe, os Nazgûls? Eu estava tão amedrontada e doida para sumir dali que quando encontrei duas guardinhas perguntei: “Onde fica o metrô?” Elas: “Qual?” Eu: “Qualquer um!” Eu não voltaria pela Rua Aurora nem fodendo. Elas riram, mas indicaram o caminho. Agradeci e segui as orientações. Precisaria atravessar uma avenida movimentada e larga. Quando o sinal abriu, caminhei calmamente para o outro lado. Foi então que notei que meu pé esquerdo estava ligeiramente mais baixo que o direito.  Dei-me conta que meu pé esquerdo encostava-se ao chão, e o direito, não. Meu salto quebrou! Puta que pariu! Miraculosamente, sem qualquer atrito ou acidente, meu salto havia quebrado enquanto eu atravessava a rua, pisando no asfalto, liso, reto, sem buraco algum. O salto simplesmente descolou-se da sola do meu sapato. Olhei para trás e então vi meu salto abandonado a própria sorte  no meio da faixa de pedestres. Tarde demais: o sinal abriu. Torci para que nenhum carro passasse por cima dele. Uh! Quase pegou! Ui. Passou perto! Esperei o sinal fechar, corri, disfarcei, peguei o salto e coloquei na bolsa. Na verdade, não sei bem ao certo porque resolvi resgatar o salto.

Eu estava mancando, no meio da quebrada perto da Cracolândia, com uma pilha de documentos nas mãos, então fiz o que qualquer pessoa sensata faria: comecei a chorar e rir ao mesmo tempo. Liguei para a minha chefe, contei a situação caótica na qual haviam me metido, então ela fez a coisa mais sincera que poderia fazer: riu. Agora eu estava chorando, rindo, mancando no meio da quebrada perto da Cracolândia, com uma pilha de documentos e puta da vida. Minha chefe numa atitude altruísta disse que eu poderia ir até a minha casa, trocar o sapato, para depois ir ao Fórum. Ok. Só que a minha casa ficava do outro lado da cidade e o Fórum fecha às 17h00 para estagiários e já eram 15h30.

Comecei a andar na ponta do pé esquerdo, a fim de disfarçar o desnível. Foi uma das atitudes mais vergonhosas pelas quais  já passei. Peguei o metrô e corri até a minha casa o mais rápido que pude. Não tive dúvida: coloquei um All Star. Roupa social e All Star. Gente sexy é outra história. Mas até que estava bonitinho. Corri para o Fórum. Peguei novamente o metrô. 16h30. Faltava meia-hora e eu estava na estação Sé.  Foi então que ouvi: “Senhores passageiros. Estamos parados devido à presença de usuário na estação Praça da Árvore.” Puta que pariu. Nota mental: como celular não funciona dentro dentro do túnel do metrô, eu sequer poderia avisar minha chefe, além disso, provavelmente ela nunca acreditaria nessa história.  Azar demais para uma pessoa só.  No mínimo acharia que eu estava tentando “dar um gato”.

16h55. Cheguei! Corri para a entrada do Fórum Criminal. No meio do caminho, encontrei um rapaz bonitinho, com um skate ou algo parecido nas mãos, cabelo na altura do ombro, rosto estilo Jhonny Depp. Não costumo achar skatistas bonitos, mas esse era. Fixei o olhar. Ele olhou de volta, sorriu e disse: “boa tarde”. Abri um sorriso, pensei em falar alguma coisa mas deixei quieto. Xavecar alguém no Fórum Criminal é meio roubada, né?

Terminei o serviço, 18h00 da tarde. Liguei para informar aos meus chefes e pedir autorização para ir embora para casa em vez de ter que retornar ao escritório para só depois ir embora. Afinal, serviço mais do que cumprido, e comprido, diga-se de passagem.  Deixaram-me ir, mas notei um certo tom de desconfiança. No dia seguinte, tomei aquela carcada. Queriam que eu fosse mais cedo ao Fórum para sempre, sob qualquer hipótese, retornar ao escritório para só depois ir para casa, apenas por burocracia. Afinal, vai que o estagiário resolve parar para ir ao banheiro no meio do expediente….  Mal sabem eles que eu fui de All Star ao Fórum e ainda saltitei pelos corredores cantando a música dos Smurfs.

Por essas e outras, sei que o que a característica comum da raça dos juristas não é o prazer pela escrita, o glamour de se vestir bem, tampouco a falta de senso de humor, visto que estagiários costumam ser bem-humorados e advogados adoram rir na sua cara.  O que todos nós temos em comum é a chatice.

Como eu sempre gostei de escrever, quando  criança meus pais falavam que eu seria uma boa jornalista. Mas eu faço Direito porque sou chata. Não há nada que eu goste mais de fazer do que provar que estou certa. Quer saber a forma mais fácil de me levar ao orgasmo? Diga-me: “Você está completamente certa”. O “completamente” é um tesão, mas poderá ser removido em uma versão menos entusiasmada. Como eu adoro ouvir isso. Ainda mais se for depois de uma árdua e longa discussão. Enfim, cada um de nós, juristas, tem a sua chatice particular. Pode observar.

Vale mencionar que não são apenas, nem todos, os advogados que são arrogantes e se acham “os” profissionais. Isso é freqüente em inúmeras profissões. É comum achar quem se ache “o” jornalista, ”o” publicitário, “o” programador, etc. Só que o peculiar da carreira jurídica é que antes mesmo de se formarem os alunos de Direito se acham “os” advogados, “os” juízes, “os” promotores… Mas não são nada disso, são apenas chatos! No máximo servem de bobo da corte para seus patrões. São majoritariamente politicamente corretos, moralistas e tradicionalistas. Ou seja, chatos.  Se algum advogado ou estagiário de Direito ler esse texto, provavelmente vai querer me linchar. Por mais que eu explique que é apenas humor, e faz bem rir de si próprio, ainda assim eles ficarão melindrados.  Outra vez, chatos.

No meu caso, sou chata, não nego, mas não me acho “a” advogada, “a” promotora ou “a” juíza, mas com toda certeza sou “a” azarada.

Acorda, Brasil! Que eu vou dormir!

Acorda, Brasil! Que eu vou dormir!

Hoje decidiremos o futuro de nossa cidade. Cumpriremos nosso dever como cidadãos exercendo nosso direito ao voto. Trata-se de uma decisão de suma importância, portanto séria. Para tal feito, resolvi coletar algumas informações a fim de ajudá-los a refletir acerca da importância do sufrágio universal, bem como expor diversas considerações acerca das Eleições 2008:

- Eleição é apenas o dia marcado / Pra esse povo abestalhado/ escolher a marca da vaselina/ com a qual vai ser enrabado.

Profundo. Quer dizer, melhor não…

Hoje só amanhã! Depois vocês pensam na marca da vaselina! Por enquanto vamos nos deliciar com mais pérolas do Macaco Simão:

- Eleição em São Paulo está parecendo o seriado Chaves: Seu Barriga x a Bruxa do 71!

- O Gabeira vai governar BASEADO em quê? E avisa pro Paes que não é FUMO. É fomos.

- E o babado do checão? Aquele cheque enorme que apareceu nas fotos. Checão que o Serra e o Kassab deram pro metrô. Para escorar o metrô. Aquele metrô só desaba. Checão pra escorar o metrô. E o blogdobonitão mostra o que o Kassab escreveu no checão: nominal à minha esposa. Rarará! A Marta quer que ele seja CASADO OU CASSADO!?

- Em Ponta Grossa, no Paraná, tem uma lanchonete chamada Bibas. BIBAS DE PONTA GROSSA! Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil

- Se o real desvalorizar mais, vão ter que trocar o bicho das cédulas: javali! JÁ VALI!

- “Marta barrada no CEU”! Ninguém manda casar com argentino. É pecado mortal! É que ela foi visitar o CEU de Vila Formosa, e a prefeitura não liberou a entrada. Eu acho que o Kassab falou: “Ela foi barrada no céu, mas tô liberando passe livre pro inferno”. Bilhete Único pro inferno. E o Kassab que inaugura puxadinho dizendo que é hospital? PUXADINHO DO KAXAB!

- A greve tá mais feia que o Serra!

- O presidente do FMI investigado por escândalo sexual com funcionária húngara. E como é o nome dela? PYROSKA! Pyroska Nagy. Por isso que a gente tá nessa crise: o FMI tá enrolado numa piroska! E FMI em inglês é IMF. International Mother Fuckers!

- Ainda bem que o Garotinho não fuma maconha. Porque dá larica e ele ia comer a Rosinha!

- Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. “Comprometeu” = garota de programa.

Parte 2

Musiquinha do Kassab [encontrada no orkut, desconheço a autoria]:

O trânsito tá ruim
Todo dia paradão
Enquanto o Kassab
Só dá ré no minhocão!

Toc toc toc
Bate na madeira!
Kassab com mulher
Nem de brincadeira!

Kassab que vergonha
Não tem creche pra criança
Você não faz nenhuma
Então pega na minha e balança!

Toc toc toc
Bate na madeira!
Kassab com mulher
Nem de brincadeira!

Kassab teu marido
É o tal do Rodrigão
Tu não encara uma buceta
nem pra ganhar eleição!

Toc toc toc
Bate na madeira!
Kassab com mulher
Nem de brincadeira!

Parte 3

Se o Kassab e o Gabeira ganharem, vai rolar parada gay na Dutra!

Bom-humor é apartidário e faz bem a todos.  =]

Créditos: José Simão, colunista da Folha de S. Paulo.

Bingo!

Bingo!

Na maioria dos casos, o nome do bingo é composto pela palavra ”bingo” seguida pelo nome da rua na qual ele foi construído.

 

Por exemplo, o bingo que fica na Rua Cruzeiro do Sul chama-se Bingo Cruzeiro do Sul. Já o bingo que fica na Rua São Jorge chama-se Bingo São Jorge, o bingo da Rua Marechal Deodoro chama-se Bingo Marechal… 

 

Entretanto, o bingo que fica na Lins de Vasconcelos chama-se Lins Bingo.

Ainda bem, né?! Imagina ouvir:

 - Opa! Hoje eu me diverti muito no Bingo Lins!

Puxa, que bacana!

Língua: Um fenômeno mutável

Língua: Um fenômeno mutável

A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer. [Graciliano Ramos]

De segunda à sexta faço parte do universo jurídico, do universo cujas normas ditam: em caso de dúvida entre duas palavras, escolha a mais difícil. Afinal, não é qualquer “pé de chinelo” que  deve conseguir entender o que escrevemos…  Somos pessoas muito principais.

Fora desse universo, reservo-me um pouco de sensatez e preocupo-me apenas em transmitir a mensagem. Compreendo a importância de possuirmos um bom vocabulário, bem como um bom domínio gramatical, uma boa técnica de escrita etc, mas tudo isso sem perder de vista a finalidade da linguagem.

Daí me pergunto: se o principal desígnio da linguagem sempre foi  o de  transmitir a mensagem, possibilitando a comunicação de quem escreve para com quem lê, por qual razão deveríamos nos esforçar para escrever de forma complicada, prolixa e cansativa? Sobretudo quando discorremos sobre coisas tão desprovidas de interesse social como… o direito?

No século XVIII, Cesare Beccaria, em seu tratado intitulado “Dos Delitos e das Penas” já protestava contra a legislação de sua época, escrita sumariamente em latim. Alertou, sabiamente, que “se a interpretação arbitrária das leis é um mal, também o é a sua obscuridade, pois precisam ser interpretadas. Esse inconveniente é maior ainda quando as leis não são escritas em língua vulgar”.

Hoje, século XXI, nossas leis não são mais escritas em latim – mas, na falta da lei em si, há sempre um brocado… – mas ainda são escritas para que poucos possam realmente compreendê-las.

Aliás, outro ponto merece ressalva:

Código Penal.

Artigo 121: Matar alguém:

Pena: reclusão, de seis a vinte anos.

Art. 155 – Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Tranquilo, não? Ok, agora vejamos:

Código Civil

Art. 1.422. O credor hipotecário e o pignoratício têm o direito de excutir a coisa hipotecada ou empenhada, e preferir, no pagamento, a outros credores, observada, quanto à hipoteca, a prioridade no registro.

Art. 1.423. O credor anticrético tem direito a reter em seu poder o bem, enquanto a dívida não for paga; extingue-se esse direito decorridos quinze anos da data de sua constituição.

 

Sempre morri de medo da anticrese. Até o dia que conheci a enfiteuse.

 

De fato, a elite nunca poupou esforços para manter o conhecimento afastado do povo.  Obviamente, essa é a única forma das coisas darem certo. Você não vai conseguir explorar pessoas tão inteligentes quanto você.  Além disso, é  importante manter as classes baixa e média lutando entre si, para que os ricos possam fugir com todo o dinheiro do país, tranqüilamente.  No âmbito da linguagem, vale destacar que os médio-classistas parecem satisfeitos em dar suas risadinhas  dos “pobremas” alheios.  Isso funciona porque possibilita que até mesmo o representante mais zé mané da classe média possa se sentir importante ao humilhar um pobre ignorante.

Superado isto, vamos a outro ponto importante: a partir do momento em que a convenção estipulada, consubstanciada no conjunto de regras gramaticais que regem um idioma, não corresponder mais a língua falada na sociedade, então será a hora de adequá-la.  A despeito da resistência apresentada pelos gramáticos mais puristas, contrários às inovações e mutações lingüísticas, a língua é um fenômeno mutável, tendo se transformado e inovado ao longo dos séculos. Caso contrário, ainda falaríamos latim. Alterar a convenção só será necessário para oficializar aquilo que já foi acolhido e pacificado pela sociedade.  Há quem diga, todavia, que, com isso, destruiria-se a língua.

Vejam, contudo, que a partir da mutação da expressão “não obstante” chegou-se ao vocábulo “inobstante”, sendo este um neologismo aceito e muito utilizado no mundo jurídico.  Sendo certo que a língua evolui à medida que evolui a sociedade,  resta nos perguntar: dos diversos neologismos criados, quais são bem-vindos e quais não? São eles provenientes de quais segmentos da sociedade? De quais classes? Quando se diz que a língua deve “acompanhar”  a sociedade,  deve-se utilizar como parâmetro toda a sociedade, e não apenas a parte mais rica dela.

I’m sowing the seeds

I’m sowing the seeds

Constantemente ouço duras críticas quanto às chamadas mulheres interesseiras. São inúmeras queixas, injúrias e reclamações disparadas, massificadas e difundidas até mesmo pela mídia, com o intuito de menosprezar e rebaixar tais mulheres. Sejam mulheres interessadas em dinheiro, carros, poder, ou qualquer outra coisa “interessável” em nossa sociedade.

Todavia, constantemente também ouço homens afirmando que: “para ficar, “pegar”, basta ser gostosa”, somente para namorar é que eles levariam em consideração os demais aspectos.

Ora, se para ”pegar” basta ser gostosa, então por que você se importaria com o que a “gostosa” pensa de você? Ela só precisa ser gostosa. Se você trata a mulher como objeto, qual é o problema dela estar interessada apenas nos seus objetos?

O mundo não está perdido. Cada um tem aquilo que merece.

Tem figura?

Tem figura?

Quem posta em comunidades do orkut, ou em fóruns, sabe exatamente do que eu estou falando.

 

Você, um ser pensante extremamente esforçado e dedicado, gasta um puta tempo redigindo seu post, pensando, ponderando, argumentando, para finalmente postar e expor sua idéia, quando surge um ser infeliz que diz:

- “Nem li”! Resume!

 

Resume?! Porra, resume a tua vida: se mata! Simples e sucinto, conforme o gosto do freguês!

 

Primeiro que esse negócio de “Nem li” é ridículo. Odeio essas gírias imbecis que foram criadas pela Internet nos últimos anos. Algum “descolado” cria, o povo “baba ovo” repete. Um dia vocês ficam velhos, seria bom adquirir um pouco de personalidade.

 

Em segundo lugar, “Resume”?!

O cara se registra no fórum, freqüenta o fórum, vai até a porra do meu tópico, ainda por cima comenta, tudo isso para postar “Resume”?!

 

Exatamente! O cara faz tudo isso aí para dizer que está com preguiça de usar a massa cinzenta. Não era mais fácil ficar inerte? Ignora meu tópico! Não precisa dar atestado de burrice gratuito!

 

Qual é a quantidade de jornais que você imagina que um ser desses deve ler?!

E olha que eu nem estou falando de literatura de relevante valor moral e histórico!

Estou falando de Jornal mesmo! Sabe, Jornal tem figura!

 

Falando nisso, uma vez eu dei para um antigo affair um livro do Edgar Allan Poe chamado “Histórias Extraordinárias”, livro de contos de terror muito bom por sinal. A capa do livro era preta, com letras douradas, aquelas versões antigas, de sebo, pelas quais sou apaixonada.

 

Assim que entreguei o presente, pedi para ele lesse algum conto enquanto eu terminava meus afazeres da faculdade. Depois de um tempo notei que ele havia começado a folhear rispidamente as páginas do livro, como quem procura alguma coisa.

- Você está procurando um conto menor?

- Sim… tem algum com figura?

Mulheres também broxam, sabiam?

Pensando com as cobras

Pensando com as cobras

Estive pensando. O que é muito bom, quiçá diriam que até existo. Se pensar é questionar, duvidar, aqueles que nunca duvidam, nunca discordam, nunca pensarão. Mas pensando por eles, vejam comigo.

 

Nós seres humanos não somos os animais mais fortes da natureza, tampouco os mais velozes. Não somos os maiores ou menores animais, os que escalam melhor, os que nadam melhor, sequer voamos.

 

A única coisa que nós fazemos melhor do que os outros animais é pensar. Pois bem, pensem comigo.

 

Considerem a hipótese que uma cobra venha a nascer sem rabo. Isso mesmo, sem rabo, uma cobra sem rabo, apenas com cabeça de cobra.

 

O que certamente vai acontecer com essa cobra? Ela vai morrer! E olha só, isso não é fascismo, é darwinismo! Seleção natural meus caros. Ela morre! Morre!

 

Se a única coisa notável que nós seres humanos possuímos de melhor do que os outros animais é pensar, se uma pessoa não pensa…

Um ser humano que não pensa é inútil perante toda a sociedade, ele é inútil para toda espécie! Logo, ele tem morrer!

 

Não tem que montar banda de funk, banda de axé, dançar Calypso! Porra, tem morrer! Morre! Morre! Morrrrrrrrreeeeeeeee!!

 

Parte 2

- Eis então que o mundo acaba. Os únicos sobreviventes são: você, um pagodeiro e sua pior inimiga.

- Eu viro lésbica, na boa.

- Bom, isso se a sua “pior inimiga” não te matar antes, afinal, faz parte da natureza feminina. Sabe como é, existe um homem e duas mulheres…

- Não tem problema! Eu mato o pagodeiro antes! E olha que maravilha: eu mato o pagodeiro desgraçado e ele é o último! Não vão mais existir filhos de pagodeiro! Olha que bacana!

 

Parte 3

As falas a seguir foram proferidas por advogados e tiradas de registros oficiais de tribunais.

- O que significa a presença de esperma?
- Significa relação consumada.
- Esperma masculino?
- É o único que eu conheço.

 

- Há quanto tempo você esta grávida?
- Vai completar 3 meses no dia 8 de novembro.
- Então, aparentemente, a data da concepção foi 8 de agosto.
- Sim.
- E o que você estava fazendo?

 

- O que aconteceu depois?
- Ele me disse: Tenho que te matar porque você pode me identificar no tribunal.
- E ele o matou?

 

Qual a diferença entre Deus e um advogado?
R.: Deus não pensa que é um advogado.

 

Por que as piadas de advogado não funcionam?
R.: Porque os advogados não acham graça em nenhuma delas, e as outras pessoas não acham que são piadas.

 

Ok, chega.

Amo vocês ;*